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Diário de uma mulher simples

A vida como ela é.



Domingo, 25.08.13

Domingo, 25 de Agosto de 2013

Agosto está no fim. Setembro nasce num Domingo. O calor, junto à dança dos eucaliptos, invade casas e corpos. Esta noite, o sono libertou as asas do sonho. Era como se vivesse uma vida paralela. As inquietações tomaram a forma corpórea. Eram várias histórias desenrolando-se a um ritmo incrível.
Depois desta noite vertiginosa, consegui a reunir a força necessária para me levantar. Pedi o mesmo sacrifício físico à pequena. Fomos à igreja. Pedi boleia. Uma vizinha levou-nos. A ideia de levar uma carrinha para um local de esforçado estacionamento, não me seduz. Após o ensaio dos cânticos de louvor, e no silêncio da pausa, peguei na Bíblia Sagrada e li o “Apocalipse”. Não sei porquê. Mergulhei, interessada, na leitura. A leitura foi interrompida pelo compasso musical. Abandonei. Coloquei o livro emprestado na cadeira adormecida. A leitura não me saía da cabeça…
Após a celebração, o regresso a casa. Um telefonema arrastou-me até casa da minha mãe. Os dentes do siso da minha filha mais velha estão a manifestar-se. Encontrei paracetamol para aliviar ou mesmo combater a dor. Um para tomar com a periodicidade de oito horas e outro para intercalar. Vamos ver… Os meus dois mais velhos estão destinados a visitar o dentista esta semana. O Bruno mais do que ela devido à sua cardiopatia. Está solucionada mas os cuidados continuam.
Discuti com a minha mãe. Uma parvoíce. A casa, à entrada da cozinha, tinha um cheiro desconcertante. Estava ainda de camisa de dormir a preparar o almoço para as duas moças. Assim que falei no mau cheiro, ela que nos recebera de com um “Já cá estás? Logo de manhã?”, mal-humorado, seguido de “Indispões as pessoas logo de manhã!”. Referia-se ao cheiro. Respondi que para evitar isso mesmo, ia lá poucas vezes. A partir daqui, o ar pesado desmoronou-se. Gritámos. Ela pôs-me na rua. Lembrei-me de uma frase que o meu pai repetia desolado “Nunca sei quando a tenho pelas mãos ou pelos pés!”. Os meus primos são da mesma opinião. Ela parece ter gosto em magoar as pessoas. Pelo menos, algumas. Sim, porque ela não é assim para todos.
A tarde avança cautelosa, no dia incendiado. A televisão continua a ser a distracção dos pobres. A música também. E a leitura. Ah, e os passeios pedestres à volta do bairro apreciando a brisa fresca liberta pela reclusão voluntária do sol. A primeira continua com uma programação desinteressante. Lá surge um programa ou outro com mais interesse mas no geral a programação é medíocre.
A Inês foi brincar com os vizinhos. Tudo quanto envolva dinheiro está totalmente afastado. Se já vivíamos com dificuldades, as medidas causadas pela crise acentuaram o grau de pobreza. A alimentação piorou em termos de variedade, qualidade e quantidade. Recorre-se aos produtos brancos que vão ganhando a qualidade reclamada pelas marcas. Não havendo dinheiro, ignora-se a qualidade. Mesmo nos produtos de beleza. A prioridade vai para a higiene. Nada mais. Não sou das pessoas que mais se ressente com a crise. Nunca precisei de muito para viver. Mas o dinheiro para as responsabilidades e a comida é que já vai sendo escasso. E de todos os lados me chegam notícias de pessoas e empresas com problemas financeiros. Uma delas está em risco de falência porque não consegue pagar os 1000 euros mensais de juro ao Banco. O proprietário não consegue renegociar a dívida. Só consegue pagar 600 euros. A identidade bancária não aceita. Prefere a insolvência a perder dinheiro. Dei a ideia da transferência da dívida para a concorrência que apresente uma taxa de juro mais baixa. Embora cépticos, os donos prometeram tentar.
Não se percebe um país cujo povo paga os maiores impostos da Europa e os governantes imergem o país em crises. E conhecem-se os sectores esbanjadores!

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por fatimanascimento às 16:49



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