Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diário de uma mulher simples

A vida como ela é.



Terça-feira, 17.09.13

Terça-feira, 17 de Setembro de 2013

Semana implacável. Mordeduras da alma. Perda. Orfandade. Convívio duvidoso. Insultos. Predisposição para a fúria.
O globo da vida caiu das minhas mãos. Ruiu. Desenhou no solo um mapa labiríntico. Obscuro. Os olhos da vida foram vendados. O fruto foi colhido prematuramente. Ou estaremos nós humanos esquecidos da meta da vida? Vivemos na ignorância forçada. Não estamos preparados. Não nos preparamos. A luta diária não permite. A reflexão cai inanimada. Espezinhada. A agressão da surpresa. A tortura emocional. O sentimento de orfandade. Recordação de momentos. As portas da vida encerraram-se sobre uma vida brilhante. Preciosa. Uma brilhante alma. Uma estrela mais que iluminará o firmamento.
Despedidas. Distância do espaço. Aproximação da alma. Uma asa batida num firme ritmo apressado. O poente como destino. Poeira de luz doirada como estrada. O adeus físico. O reencontro celestial acordado. A libertação. O regresso à casa do Pai.
Retorno à vida quotidiana. A luta pela sobrevivência. O desemprego. A indiferença governamental. A incompreensão. A hostilidade da pessoa supostamente mais próxima. A estupidez. A agressão verbal e psíquica. O regresso dos momentos passados. Atrozes. A chantagem. A inferiorização intencional de um ser. A morte psíquica desse ser. As fragilidades semeadas pela violência. As fragilidades vítimas da violência exterior. O negro passado desenterrado. O ódio. O curto acto violento. O fingimento. A dor inexistente usada de forma fantasmagórica.
Passagem de outro aniversário. O 11º. Uma criança com desejos. A pobreza forçada. A capacidade de tornar o impossível possível. Um desejo realizado. Uns olhos iluminados. A felicidade. A partilha. O agradável convívio. O quarteto. A família no sentido mais básico. A recuperação momentânea da privacidade perdida. O lar. A tentativa desesperada de recuperar o ambiente familiar. O resultado de encontros infelizes com seres menores, identificados nas terríveis acções cometidas. E foram tantos! E são tantos!
Conversas indiciando mentes tortuosas. A dúvida ratificada. A cobra instalada no coração familiar. A atenção redobrada. Os sentidos alertados. Cada sílaba pronunciada num determinado tom, as mensagens com duplo significado, os esquemas mentais decifrados… A vigilância instalada.
Os revezes instalam-se. O carro é alvo de todos os problemas. Panela do escape. Bateria. Comprar aquela implica a existência desta. Resolvido o problema. Dinheiro escasso. Material barato. Falta de peças pequenas. Carro com ruído. Viagem barulhenta. Material escolar exorbitante. Preços comparados. O mais barato. A registadora mostra preços diferentes. O barato sai caro. Reduz-se os cadernos. Outra empresa. Mochila e bolsa escolhidas. A mesma força de raciocínio. Escolha aprovada. A vaidade frente ao espelho. Excelente compra. Regresso. O ruído incomodativo. A chegada. A reparação possível.
Preparação da mochila. A transferência demorada. A espera. A ansiedade de uma vida demorada. O prazer antecipado. O convívio com os futuros colegas. A autonomia. A insegurança. As ilusões desenhadas na face. O cansaço da espera. As desilusões temidas. A vida adolescente a despontar.
Cada vivência é momentânea. A esperança, enraizada na fé, é o farol da vida. A aceitação não é resignação. É resistência. Uma luta oculta. Só.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por fatimanascimento às 20:05



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Setembro 2013

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930



Arquivo

2013