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Diário de uma mulher simples

A vida como ela é.



Sexta-feira, 23.08.13

Quinta-feira, 22 de Agosto 2013

Escolho as horas tardias para voar nas ondas da noite. Encontro a privacidade que não tenho. É o reencontro comigo. O momento em que o pensamento voa sem destino, saltitando de ramo em ramo. É neste momento banhado de silêncio argênteo que descubro as rotas de cada ser humano.
Ontem, a minha mãe regressou da sua semana de férias. Fez-lhe bem. Parece relaxada e satisfeita mas não sei por quanto tempo. Há já bastante tempo que não se afastava do seu tecto e jardim. O seu mundo. Foi acompanhada de uma amiga. Esta é mais nova e, muito sinceramente, não consigo gostar dela. Foram ao cabeleireiro, compraram cremes para o rosto. A amiga pagou. Partiram numa tarde fogosa de Julho. Instalaram-se numa pequena localidade junto de Mangualde, onde vive uma das irmãs e Gradiz, a terra onde nasceu. O motivo foi a venda de um terreno comum às duas. O irmão mais novo manifestou interesse na compra. Nada feito. A mulher opõe-se. Como se não bastasse, desrespeitou a minha mãe. Os irmãos que assistiram, nada fizeram. Veio desmoralizada. A ideia de família, que ela sempre quis vender, morreu. Mas, teimosa como é, vai continuar. Afinal, o maior cego é o que se recusa a ver!
Depois desta experiência, voltou a repetir. Parece ter gostado. Novo destino: Castelo de Vide. Convite feito pela mesma amiga. Novas ofertas. Tudo pago pela mesma pessoa.
Os meus primos continuam em minha casa. Estão ambos desempregados. Telefonaram-me em Junho contando a situação em que se encontravam. Vieram para o Entroncamento. Já trataram do Rendimento Mínimo de inserção e a garota tem direito ao abono. Já está matriculada na escola e os pais vão começar a trabalhar em breve. Tudo parece equilibrar-se.
A minha mãe, que ainda acredita no Pai Natal, ainda pensou que os irmãos a ajudassem neste momento difícil. “A tua filha chamou-os para lá, ela que os sustente”- foi a resposta ácida. Uma onda de revolta invadiu-me contra tanta indiferença e maldade. Não iremos precisar deles, se Deus quiser. Mas estas palavras colam-se à minha mente. Ignoro-as. Mas não posso deixar de pensar no espírito dominante desta família, onde todos falam uns dos outros pelas costas e se cumprimentam com um sorriso pela frente. Melhor esquecê-los.
O Bruno telefonou. Tem dores de dentes. Levantei-me para o levar ao hospital. Precisa de antibiótico para combater a infecção e ir ao dentista. A primeira parte está feita. Tem cinco dias para ser consultado. É uma urgência. Problemas cardiovasculares.
A Maria regressou da praia com os amigos. Estava a dormir. Não a acordei. Falarei com ela amanhã.
Chegada a casa, o meu pequeno gato esperava-me a meio da escada. Uma manha clara na obscuridade. Peguei ternamente no pequeno ser e transportei-o ao colo até ao quarto onde dorme aos pés da cama enrolado. Tenho um especial carinho por ele.
O meu outro gato, já adulto, acabou de empurrar a porta envidraçada da varanda. Deu por terminada a sua aventura nocturna. É o mais inteligente. Foi criado por mim. Ele e eu. É o gato mais humano que conheço. Muitas pessoas nada amantes de gatos acabam cativadas por ele. Tenho de concordar. É especial. A ligação entre nós é forte. Foi a melhor prenda recebida.
Continuo à espera de colocação. Só mesmo no final deste mês. A ansiedade é enorme. Trata-se da minha sobrevivência e dos meus. Tento ser positiva. Tenho de acreditar.

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por fatimanascimento às 02:40


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