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Diário de uma mulher simples

A vida como ela é.



Quinta-feira, 19.09.13

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

Espera. Na multiplicidade dos dias, a espera. Não é física. É moral. Está moralmente errado, mas é assim. O que fazer? Uns beneficiam, outros perdem. E vice-versa. Mesma classe profissional. Tratamentos diferentes. Reconduções. Menos graduados sobem na hierarquia.
Mesma vida. Recuo no tempo. Não muito. O suficiente. Acontecimento estranho. Sigo intrigada. Semicírculo de jovens. Horror. Embaraço. Olhares centrados no cume da montanha da minha cabeleira. A energia. Percebo. Mensagem espiritual humana. Má fé. Reacções adversas. Saída. O choque imobilizante. Alguns espectadores em estado de choque. Revisão da cena. Uma espiral agonizante. Incredulidade. Percebo. Mesmo de fora, percebo. Questões evitadas. Mortas. Para quê? Não haverá certamente respostas. Aprendi a conviver com as armadilhas. As humanas. As espirituais humanas. Desmobilização. A incredulidade cede passo à indignação. O atrevimento! Gasto os passos emocionais do dia. Drenagem de energia. Sempre ela!
Mais um dia. Mais outro. Confusão. Assuntos. Espera. Partida da mais velha. Luta. Imposição num mundo difícil. Duas lutas. A humana e o estudo. A sorte ou o azar. Só o tempo perceberá. A alegria. O descanso psicológico. A certeza do equilíbrio. Por agora. Pelo menos.
Tempestade e bonança. Constância da vida. Luta pela superioridade. Necessidade de dominar. Impossibilidade. Frustração. Nada é importante para mim. Parece ser para outros. Difícil. Pessoa íntima. Falta de conhecimento. Uma vida inteira! Chantagem. Toda a espécie. Cansaço emocional. Incompreensão. Desgosto. Visita a memórias distantes. Memórias residuais. Passo à frente. Não se espera o impossível. Outra estratégia. Nenhuma certeza. Apenas a vontade. E só. Calma. Transformação da fragilidade em força. Ignorar. Ignorar os maus tratos verbais, psíquicos e psicológicos de uma fragilidade apenas aparente. Sensibilidades diferentes. Muita diferença. Boa vontade. A esperança. Uma certeza. O que depende apenas de mim, consigo. Se depende de outros, resta a dúvida. Ou a certeza. Não se produzirão modificações. Sem reconhecimento não há modificações. Mãe. Uma distância enorme.
Dispersão. Sentimento em prevalência. O círculo habitual apagou-se. Novo início. Desconhecimento da forma. Ignorância. Preferível. Cada momento, cada passo. A melhor filosofia. Não esperar nada. Viver. Simplesmente.
O ácido da vida corrói o metal. Os alicerces abanam. Não caem. Há uma cola incorrosível. Todos têm de a descobrir por si. Em si. Não há remédios. As soluções medem o homem. Mundo sobrepovoado mas o caminho é individual. Mesmo tendo um exército à nossa volta, estamos sozinhos. A solidão é a nossa companheira. A verdade do que se é, remove o que outros pensam. (Querem pensar.) As máscaras e a verdade. A descoberta do outro. A nossa defesa. A atenção. A arma mais perfurante. O bálsamo para feridas.
Distracções sobre a verdade. O pensamento enganoso. A desconsideração pelo próximo. A revelação. O desempenho da personagem tem limites. Nada é perfeito. A transpiração da verdade. Mérito dos dois lados. Estupidez de um lado, inteligência do outro. A confrontação com a realidade. A coragem da observação. A coragem da compreensão crua.
A agitação. As jovens pernas ansiosas. O esquecimento. As questões lançadas ao ar. A pressa. A corrida. O pedido satisfeito. A alegria de servir o próximo. E só. A viagem. A deslocação a diversos pontos das regiões. O combate. Por tudo. Por nada. O estado de alerta. A dedicação. A satisfação do dever cumprido. O amor à vida. Confusão com o amor ao próximo.
O sono enraizado no pequeno ser. O acordar adiado. Tarefa. Nenhum telefonema. Resolução do problema. O dever. A solução.
O sol arranca o seu potente motor. Os dardos brilhantes enterram-se na pele. Estende o manto de oiro na terra poeirenta e dura.

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por fatimanascimento às 10:51

Terça-feira, 17.09.13

Terça-feira, 17 de Setembro de 2013

Semana implacável. Mordeduras da alma. Perda. Orfandade. Convívio duvidoso. Insultos. Predisposição para a fúria.
O globo da vida caiu das minhas mãos. Ruiu. Desenhou no solo um mapa labiríntico. Obscuro. Os olhos da vida foram vendados. O fruto foi colhido prematuramente. Ou estaremos nós humanos esquecidos da meta da vida? Vivemos na ignorância forçada. Não estamos preparados. Não nos preparamos. A luta diária não permite. A reflexão cai inanimada. Espezinhada. A agressão da surpresa. A tortura emocional. O sentimento de orfandade. Recordação de momentos. As portas da vida encerraram-se sobre uma vida brilhante. Preciosa. Uma brilhante alma. Uma estrela mais que iluminará o firmamento.
Despedidas. Distância do espaço. Aproximação da alma. Uma asa batida num firme ritmo apressado. O poente como destino. Poeira de luz doirada como estrada. O adeus físico. O reencontro celestial acordado. A libertação. O regresso à casa do Pai.
Retorno à vida quotidiana. A luta pela sobrevivência. O desemprego. A indiferença governamental. A incompreensão. A hostilidade da pessoa supostamente mais próxima. A estupidez. A agressão verbal e psíquica. O regresso dos momentos passados. Atrozes. A chantagem. A inferiorização intencional de um ser. A morte psíquica desse ser. As fragilidades semeadas pela violência. As fragilidades vítimas da violência exterior. O negro passado desenterrado. O ódio. O curto acto violento. O fingimento. A dor inexistente usada de forma fantasmagórica.
Passagem de outro aniversário. O 11º. Uma criança com desejos. A pobreza forçada. A capacidade de tornar o impossível possível. Um desejo realizado. Uns olhos iluminados. A felicidade. A partilha. O agradável convívio. O quarteto. A família no sentido mais básico. A recuperação momentânea da privacidade perdida. O lar. A tentativa desesperada de recuperar o ambiente familiar. O resultado de encontros infelizes com seres menores, identificados nas terríveis acções cometidas. E foram tantos! E são tantos!
Conversas indiciando mentes tortuosas. A dúvida ratificada. A cobra instalada no coração familiar. A atenção redobrada. Os sentidos alertados. Cada sílaba pronunciada num determinado tom, as mensagens com duplo significado, os esquemas mentais decifrados… A vigilância instalada.
Os revezes instalam-se. O carro é alvo de todos os problemas. Panela do escape. Bateria. Comprar aquela implica a existência desta. Resolvido o problema. Dinheiro escasso. Material barato. Falta de peças pequenas. Carro com ruído. Viagem barulhenta. Material escolar exorbitante. Preços comparados. O mais barato. A registadora mostra preços diferentes. O barato sai caro. Reduz-se os cadernos. Outra empresa. Mochila e bolsa escolhidas. A mesma força de raciocínio. Escolha aprovada. A vaidade frente ao espelho. Excelente compra. Regresso. O ruído incomodativo. A chegada. A reparação possível.
Preparação da mochila. A transferência demorada. A espera. A ansiedade de uma vida demorada. O prazer antecipado. O convívio com os futuros colegas. A autonomia. A insegurança. As ilusões desenhadas na face. O cansaço da espera. As desilusões temidas. A vida adolescente a despontar.
Cada vivência é momentânea. A esperança, enraizada na fé, é o farol da vida. A aceitação não é resignação. É resistência. Uma luta oculta. Só.

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por fatimanascimento às 20:05

Sábado, 07.09.13

Sábado, 7 de Setembro de 2013

Um diário supõe um registo diário mas não consigo cumprir. Não posso exigir mais de mim. Fiz um acordo tácito com a minha pessoa: o incumprimento irá desaguar num resumo semanal. Tentarei não ultrapassar este espaço temporal. (Já o ultrapassei!) Não vou exigir muito de mim. Caminharei ao sabor do vento.
Os trabalhos em casa da minha mãe continuam. A garagem está quase pronta. Falta só uma segunda passagem. A primeira demão não conseguiu cobrir as manchas. Tudo aponta para a conclusão rápida. Parece ser hoje. A ansiedade da minha mãe ajuda. O meu primo tem realizado um trabalho óptimo. É incansável! E perfeccionista! Tem respondido favoravelmente à pressão da tia materna. E não é fácil.
Ontem, saí da cidade após muitas semanas encerrada em casa. Fui levar a minha filha â praia. Falta de planeamento. Toque do telefone. Notícia de última hora. Não tem jantar. Condução já iniciada. Nada a fazer. Frustração e revolta do mais velho. Telefone desligado repentinamente, Irritação da irmã.
A tarde desce lentamente. O sol fere os olhos com as suas espadas brilhantes. Paragem na gasolineira. Um preço mínimo de combustível. O suficiente. Ida e volta.
Foi uma oportunidade excelente para rever a localidade onde passei os verões da minha infância. Encontrava-se debaixo da cortina pesada e fria da noite. O mar parecia um lago visto do paredão. Tão inofensivo! (E conheço o seu temperamento irascível e imprevisível para os incautos e os audazes.) Pequenas ondas negras, brilhantes à luz oblíqua dos candeeiros, corriam para a areia como pequenos magotes de pessoas. Parecia abrir-me uns saudosos braços. Deixei-me envolver. O vento fustigava o meu rosto. O bafo húmido apertava-me. Um arrepio percorreu a mulher ao meu lado como um raio. Um queixume lançado ao ar cortou o burburinho das vozes noctívagas. Absorta, abro o coração encriptado às águas pintadas de negro pela mão da noite. A ligação emocional desprendeu-se como um papagaio de papel ao vento. Poderia ficar ali eternamente. O grupo avançou na claridade húmida.
Escolheu-se um café da avenida. O ar morno digladiava-se contra o desconforto da rua. A luz e o ar morno temperavam a atmosfera calma. A hora avançada apagara a clientela. Só os aventureiros permaneciam. Bifanas para todos. Alegre conversação. Uma telenovela morrendo lentamente no televisor. Guardei a minha filha mais uns minutos junto de mim. Não seria por muito mais. Os jovens enfrentaram a escuridão rumo a um destino secreto. Sigo as suas pisadas diluídas no ar frio. Completo o círculo da caminhada. A minha infância revivida numa hora. As mesmas rochas encobertas, o eterno rio escorrendo para o mar, os elegantes pinheiros, a mesma estrada, o bar de face recuperada. Acima, um céu escutando o sussurro marítimo. A paz invadindo o mistério das almas.
O regresso. O café aguçou os sentidos. O descanso branco. O sono partiu. A estrada rasgada pelos faróis. Os quilómetros engolidos pelo motor. A solidão na corrida trespassada pela música. O ciclo da vida semeado na conversa. A cabeça loira abatida pelo vigor do sono. A chegada. O som das portas batidas esvoaçando. A porta. A entrada. O reencontro com o aconchego do lar. A descoberta. O sono estendido no colchão. Uma forma adolescente dobrada. Os caracóis escuros espalhados na fronha colorida. O rebento. Estendo-me a seu lado. Enfrento a acalma de um sono irreconciliável. Debato-me com a cafeína, amiga das horas ao volante. As brincadeiras dos gatos. Os ruídos. A impaciência. A entrada num mundo desconhecido. O sono vigília. A madrugada indomável vestida de um branco sujo. A inclinação dos eucaliptos. A nitidez crua da fotografia da janela. A coloração do pincel solar. O nascimento da manhã.

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por fatimanascimento às 12:00


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