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Diário de uma mulher simples

A vida como ela é.


Terça-feira, 20.08.13

O primeiro dia

Terça-feira, 20 de agosto de 2013

Não sei porque escolhi esta data. Talvez por ter, finalmente, uma boa notícia neste deserto de vida. Recebi esta manhã a sms de uma antiga aluna muito querida – a Sandra – dos meus tenros passos no ensino. O ano passado ofereci-lhe alguns dos meus livros publicados. Recebi hoje a sua apreciação. Não é o que diz, é o carinho e a sinceridade que transmite. Depois de uma noite quase em branco, caiu como orvalho numa manhã quente. “Olá, bom dia, querida Fátima. Estou a mandar a msg para lhe contar que descobri que gosto muito de ler, coisa que, até então, não fazia o mínimo sentido para mim. Agora, não passo sem um livro na mesinha de cabeceira. E como não podia deixar de ser, comecei a ler os seus. Digo isto com algum constrangimento mas talvez só agora começou a fazer sentido fazê-lo. Comecei por ler “O Sonho”. Gostei muito da história mas fiquei com pena que não tivesse continuado para também nós partilharmos todo o sonho do Lourenço. Vou continuar a ler todos os outros. Espero que esteja tudo bem consigo. Beijinhos com saudades.” O meu coração exultou de alegria ao ler estas palavras maravilhosas todas reflexo de um coração autêntico.
Ontem também recebi outra alegria. A saudade fez o telemóvel tocar. Do outro lado, duas meninas gritando e rindo deixando correr a emoção como um rio de forte caudal. Adivinhei de quem se tratava apesar de tudo. Reconheci as amáveis, alegres e emotivas vozes. Lá se acalmaram e as palavras pronunciadas libertaram-se ao vento como folhas de outono. A emoção, ainda presente, atrapalhava a lógica entrecortada. Percebi que precisavam mais da presença do que das palavras. Não é preciso dizer muito. Muitas vezes nem é preciso dizer nada. Só a ausência física tornava necessárias as palavras. Este é o verdadeiro gostar. Aquele que ultrapassa a comunicação.
Toda a manifestação de carinho surge quando menos espero, quando mais necessito. Voltou a suceder. Não estou a passar um momento fácil. Em parte, deve-se à consequência da maldade de pessoas. Outras, às circunstâncias da vida. Consegui concentrar as duas. E não está a ser fácil. Nada! Estas manifestações de carinho são um momento de paz experimentado pelo fatigado soldado no meio da caótica e feroz batalha. São pessoas assim, ainda que novinhas, que fazem toda a diferença. São elas que dão um toque multicolorido a uma tela dançante a três cores. Sempre defendi que nós não devemos seguir a pegadas do mundo, devemos acrescentar-lhe a nossa migalha que, ainda que pequenina, acaba por fazer toda a diferença. É esta ideia que escapa à maioria das pessoas que retrocam zombeteiras “Tu é que vais fazer a mudança!” Não tenho tal pretensão. Mas percebi que os outros não o fazem nem querem que os outros o façam. Ou não falariam assim!
É em pessoas como estas minhas ex-alunas que eu ponho toda a minha fé. Reconheço nelas qualidades que faltam à maioria. Bem hajam por isso! São pessoas como elas que fazem com que a minha fé no ser humano não morra. São elas que me fazem lembrar que a bondade existe e que tenho de me concentrar nelas. Agradeço a Deus tê-las colocado na minha vida. Serão sempre uma bênção para mim. Elas e todos os outros que, embora distantes, sei que estão comigo. E são tantos! Tornam mesmo a desprezível guerra da vida, diminuta. São como um parque rodeado de ameaçadores altos prédios. Mas são!

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por fatimanascimento às 16:28


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